Você deveria se voluntariar e tornar seu entorno um lugar melhor
O coletivo deveria sempre estar acima do particular. Se essa fosse a constante diária do cotidiano das pessoas, teríamos uma vida um pouco melhor e, talvez, isso ajudasse as pessoas a entenderem o que realmente significa a coisa pública e como isso nos une enquanto sociedade.
As universidades estão cheias de oportunidades. Estudantes inexperientes tentando aprender, ainda que em um ritmo pesado de cobranças e expectativas exageradas, podem tentar aproveitar projetos e iniciativas de acadêmicos mais experientes que, dado o acúmulo de conhecimento, possuem mais ideias do que braços para tornar todas elas realidades. Uma ajuda, ainda que de um discente inexperiente, porém ávido por aprender, poderia trazer à realidade diversas soluções e experimentos fantásticos.
Em nossas vizinhanças, ainda que no bruto, insensível e socialmente árido contexto de muitas das comunidades urbanas de hoje, há sempre espaço para conhecer e oferecer ajuda mútua entre os moradores do bairro, da rua ou do prédio em que se vive. Tendemos a adquirir serviços, produtos e equipamentos que poderiam mesmo ser coletivos, mas nossas bolhas pessoais nos forçam a sermos donos individuais de muito do que poderia ser partilhado. Precisamos mesmo que todas as oitenta famílias de um mesmo prédio tenham, cada uma delas, uma escada de quatro degraus que é usada apenas cinco vezes por ano?
Na internet, principalmente para os que sabem (ou querem aprender a) construir no ciberespaço, há um sem número de oportunidades. Há projetos que precisam de quem entenda de infraestrutura de redes, de programadores, de pessoas que podem instalar e testar soluções e até de quem possa apenas dar uma observação quase desinteressada, porém, construtiva. Há sites como o Archives World Map — cuja objetivo é identificar geograficamente as instituições que guardam acervos documentais públicos no mundo — que precisa apenas que as pessoas forneçam quatro metadados sobre uma tal instituição que pode ter sido visitada na última viagem de férias. Há muitas oportunidades de fazer voluntariamente para ajudar iniciativas interessantes a irem adiante em seus objetivos.
Todos nós precisamos sobreviver, para tanto, precisamos criar valor de alguma forma. A consequência da criação de valor é a renda (ok, talvez isso deva ser melhor elaborado, talvez em outra postagem). Criar valor depende de criatividade, de experiência, de contatos e interações. Isso pode ser gerado no voluntariado; há muito potencial em tentar criar valor sem interesse direto e imediato na geração de renda.
É quase uma obrigação minha citar aqui os hackerspaces brasileiros, que proporcionam espaços com cultura de aprendizado e colaboração mútua. Procure um hackerspace em sua cidade (em Salvador, por exemplo, tem o Raul Hacker Club, que vale a pena conhecer).
Portanto, se você é inexperiente, um grande novato, em algo que queira aprender, ser voluntário é um ótimo caminho. Ao final do processo, você provavelmente terá aprendido muito mais do que esperava quando decidiu que se engajaria em alguma atividade pensando no coletivo acima do particular.