Lusofonia como espaço cooperativo entre instituições arquivísticas

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Análise da cooperação entre instituições arquivísticas nos países lusófonos.
Autor

Ricardo Sodré Andrade

Data de Publicação

10 de abril de 2014

Nos últimos dias, me concentrei na busca do entendimento do que é a Lusofonia, procurando por uma conceituação que pudesse ser utilizada como delimitador do escopo de minha investigação para doutoramento.

A pesquisa está caminhando para o entendimento das intenções e efetivas apropriações dos media participativos por parte dos principais arquivos públicos de países lusófonos. A investigação proposta está muitos passos além da pesquisa que efetuei no âmbito de meu mestrado, que investigou o arquivo nacional e estaduais brasileiros no uso de recursos da Web 2.0, em 2010. Dessa vez, o estudo lida com as pluralidades dos diversos países que adotam oficialmente a língua portuguesa e que estão distribuídos pelos diversos continentes, como a América do Sul (Brasil), Europa (Portugal), África (Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde) e Ásia (Timor-Leste).

Ainda há os territórios de falantes do português, como Goa (Índia) e Macau (China). Estes ainda estão sendo considerados para a pesquisa e, mesmo que não façam parte das análises, não devem ser esquecidos como integrantes do entendimento alargado da geografia lusófona.

Dado os oito países, o que há de comum e excepcional nesses lugares que os tornam importantes para um estudo em informação e comunicação, concentrado nas instituições arquivísticas? Que importância há na lusofonia, seus fluxos, redes, e em seus países para se tornarem expressivos para essa pesquisa proposta?

O começo está na herança lusitana comum, obtida desde o período das colonizações portuguesas. Não se pode jamais esquecer da pluralidade cultural que floresceu em cada um desses oito países ao longo dos últimos séculos e que, também, lusofonia não é uma rememoração de relações império-colônia, mas a afirmação da possibilidade de confraternização e cooperação entre povos que podem se comunicar facilmente dentro de um mundo contemporâneo hiperconectado e imerso na exigência do conhecimento da língua inglesa como falso pré-requisito obrigatório para todas e quaisquer ações além das fronteiras nacionais.

Sem entrar nos méritos e utilidades (que são reais) de se ter quadros funcionais hábeis no idioma anglo-saxão, as instituições arquivísticas da lusofonia podem criar laços de cooperação técnica entre si usando a própria língua materna, com a garantia de contarem com aproximados interesses históricos, científicos e culturais entre os possíveis parceiros.

Alguns arquivos públicos poderiam apresentar-se bastante ansiosos pelas suas versões de páginas e serviços em inglês, francês ou alemão, esquecendo de criar mecanismos de atendimento e cooperação destinados aos países-primos, algo provavelmente muito mais fácil de realizar que atender os outros países (sonho muitas vezes frustrados já na dificuldade em manter um sítio atualizado e interessante na própria língua portuguesa).

A lusofonia não é uma construção fácil, se refere a um espaço geográfico e linguístico fragmentado, uno em boa parte por um passado, idioma em comum e um contemporâneo esforço de aproximação (ver CPLP).

Há ainda espaço para criação de redes que estreitem o diálogo técnico entre as instituições lusófonas, com vistas ao alcance cruzado dos usuários de cada uma delas. Divulgação, entendimento, cooperação e atendimento entre instituições, acervos e usuários, supranacionalmente, poderia gerar resultados extremamente satisfatórios na compreensão histórica e desenvolvimento técnico, científico e cultural desses países, contribuindo para a disponibilização de cada vez mais conteúdos em língua portuguesa na internet.